<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" version="2.0" xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/"><channel><title><![CDATA[mulher triste de terno]]></title><description><![CDATA[mulher triste de terno]]></description><link>https://larissafarabello.digitalpress.blog/</link><image><url>https://larissafarabello.digitalpress.blog/favicon.png</url><title>mulher triste de terno</title><link>https://larissafarabello.digitalpress.blog/</link></image><generator>Ghost 4.48</generator><lastBuildDate>Fri, 08 May 2026 23:08:53 GMT</lastBuildDate><atom:link href="https://larissafarabello.digitalpress.blog/rss/" rel="self" type="application/rss+xml"/><ttl>60</ttl><item><title><![CDATA[Laura Dean vive terminando comigo]]></title><description><![CDATA[<p>Freddie vive numa constante inseguran&#xE7;a. Olhando o celular repetidamente esperando a pr&#xF3;xima mensagem. Sem saber onde sua namorada est&#xE1;, quando v&#xE3;o se ver ou... quando Laura Dean vai resolver terminar com ela de novo. </p><p>Minha primeira sensa&#xE7;&#xE3;o ap&#xF3;s</p>]]></description><link>https://larissafarabello.digitalpress.blog/laura-dean-vive-terminando-comigo/</link><guid isPermaLink="false">6000dac116c7580001ffe3f2</guid><category><![CDATA[comic]]></category><category><![CDATA[review]]></category><category><![CDATA[lgbt]]></category><dc:creator><![CDATA[Larissa Farabello]]></dc:creator><pubDate>Fri, 15 Jan 2021 00:48:06 GMT</pubDate><media:content url="https://digitalpress.fra1.cdn.digitaloceanspaces.com/nywxoio/2021/01/laura-dean-cover.jpeg" medium="image"/><content:encoded><![CDATA[<img src="https://digitalpress.fra1.cdn.digitaloceanspaces.com/nywxoio/2021/01/laura-dean-cover.jpeg" alt="Laura Dean vive terminando comigo"><p>Freddie vive numa constante inseguran&#xE7;a. Olhando o celular repetidamente esperando a pr&#xF3;xima mensagem. Sem saber onde sua namorada est&#xE1;, quando v&#xE3;o se ver ou... quando Laura Dean vai resolver terminar com ela de novo. </p><p>Minha primeira sensa&#xE7;&#xE3;o ap&#xF3;s terminar a leitura foi que faltava algo em Laura Dean. Eu tinha dificuldades para enxerg&#xE1;-la como uma pessoa real, de encontrar algo que me fizesse entender a atra&#xE7;&#xE3;o que todos t&#xEA;m por ela, algo al&#xE9;m de sua beleza superficial, alguma justificativa para seu comportamentos negativos. Mas eu estava procurando pela coisa errada.</p><p>As conven&#xE7;&#xF5;es da fic&#xE7;&#xE3;o est&#xE3;o plantadas no meu subconsciente e eu instintivamente acabo procurando at&#xE9; pelas que rejeito. Cercada de obras de todos os g&#xEA;neros que romantizam relacionamentos abusivos e em que a protagonista tem a miss&#xE3;o de compreender, tolerar e salvar seu par rom&#xE2;ntico, j&#xE1; parece natural esperar que Laura Dean tivesse algum tipo de arco de reden&#xE7;&#xE3;o. Mas essa n&#xE3;o &#xE9; uma hist&#xF3;ria de romance. E n&#xE3;o &#xE9; sobre Laura Dean. Nem mesmo &#xE9; de fato sobre o relacionamento delas, mas sim sobre a Freddie.</p><p>Com o relacionamento sempre em cheque, a rela&#xE7;&#xE3;o suga sua energia. Ela se torna incapaz de focar em qualquer outra coisa e abandona qualquer compromisso pela oportunidade de estar com a Laura e poder aliviar aquela sensa&#xE7;&#xE3;o. Seus problemas amorosos s&#xE3;o seu &#xFA;nico assunto e essa contradi&#xE7;&#xE3;o com a incapacidade de abandonar aquilo que lhe faz mal acaba afastando-a das pessoas preciosas para ela. </p><p>Laura Dean &#xE9; uma p&#xE9;ssima namorada. Ela fere com o descaso. Insens&#xED;vel e distante, sempre na defensiva quando questionada. Se sente confort&#xE1;vel quando n&#xE3;o precisa se responsabilizar por suas a&#xE7;&#xF5;es e considerar os sentimentos alheios. A qualquer ind&#xED;cio de conflito, sua primeira op&#xE7;&#xE3;o &#xE9; terminar. Freddie tenta compreend&#xEA;-la e aceit&#xE1;-la, am&#xE1;-la o suficiente para fazer as coisas funcionarem, cedendo &#xE0; todas as suas vontades. Mas n&#xE3;o &#xE9; o poder do amor que vai salvar seu relacionamento. Isso nunca foi responsabilidade dela. E ela perde muito sem ganhar nada em troca.</p><p>Seus amigos acompanharam toda a montanha-russa que tem sido esse relacionamento, ouviram os lamentos e j&#xE1; deram todo tipo de conselho, que nunca s&#xE3;o seguidos. Sua melhor amiga acaba tendo que enfrentar sozinha uma situa&#xE7;&#xE3;o muito dif&#xED;cil, pois nos momentos em que tentou pedir ajuda para Freddie, ela nunca era a prioridade.</p><p>Mesmo com a hist&#xF3;ria sendo contada da perspectiva da protagonista, n&#xE3;o senti que vi a hist&#xF3;ria somente pelos olhos dela. A identifica&#xE7;&#xE3;o n&#xE3;o veio s&#xF3; da pessoa que est&#xE1; passando pela situa&#xE7;&#xE3;o de um relacionamento turbulento, mas tamb&#xE9;m daqueles ao redor. Na maior parte do tempo, me senti como uma amiga ouvindo mais uma vez a mesma hist&#xF3;ria de t&#xE9;rmino se repetir, e me desesperei vendo de novo e de novo uma pessoa com quem eu me importo repetir o ciclo. Acho que muitos de n&#xF3;s j&#xE1; estivemos de ambos os lados.</p><figure class="kg-card kg-image-card"><img src="https://digitalpress.fra1.cdn.digitaloceanspaces.com/nywxoio/2021/01/f7t0vyo02er3hwlxz2dl.png" class="kg-image" alt="Laura Dean vive terminando comigo" loading="lazy" width="1200" height="675"></figure><p>Ler uma hist&#xF3;ria que retrata um relacionamento entre duas mulheres sem que a sexualidade de ambas seja o conflito principal &#xE9; uma mudan&#xE7;a muito bem-vinda. N&#xE3;o que n&#xE3;o seja importante e necess&#xE1;rio, mas tantas dessas hist&#xF3;rias focam em sair do arm&#xE1;rio &#xA0;que eu sinto falta de poder ler sobre outros temas sem perder a representatividade. Al&#xE9;m disso, o apelo e a identifica&#xE7;&#xE3;o desse tipo de hist&#xF3;ria s&#xE3;o limitados, tornando a maioria delas obras de nicho. N&#xE3;o quer dizer que seja uma sociedade perfeita. Conflitos existem e afetam profundamente as pessoas ao seu redor, mas sem ir por esse &#xE2;ngulo, a narrativa tem muito mais espa&#xE7;o para respirar e focar na hist&#xF3;ria que quer contar.</p><p>A Freddie tem o apoio de sua fam&#xED;lia e amigos. Tanto na escola quanto no trabalho, ela tem a companhia de outros personagens LGBT e seu namoro &#xE9; tratado com naturalidade. O que n&#xE3;o quer dizer que ele seja perfeito. Como a pr&#xF3;pria Freddie diz, os ativistas lutaram para que ela pudesse ter seu cora&#xE7;&#xE3;o partido assim como seus amigos h&#xE9;teros. O ponto &#xE9; bem direto, mas nada f&#xE1;cil de engolir. E o apelo &#xE9; universal: voc&#xEA; pode se ver nessas situa&#xE7;&#xF5;es em qualquer tipo de relacionamento.</p><p>A arte &#xE9; linda, e a caracteriza&#xE7;&#xE3;o dos personagens &#xE9; diversa e realista. O que s&#xF3; destaca mais o quanto a Laura Dean &#xE9; retratada como um ideal. Alta, magra, branca e loira, com o cabelo l&#xE9;sbico descolado do momento, um padr&#xE3;o de beleza, confiante e charmosa. As pessoas se sentem naturalmente atra&#xED;das por ela, por&#xE9;m &#xE9; imposs&#xED;vel se aprofundar.</p><p>A sensa&#xE7;&#xE3;o de n&#xE3;o conhecermos realmente a Laura e n&#xE3;o entendermos suas motiva&#xE7;&#xF5;es funciona. Porque &#xE9; o mesmo para a Freddie. A Laura se esconde atr&#xE1;s de seu carisma, sempre formal, sempre distante. N&#xE3;o pergunta demais nem conta demais. Se mant&#xE9;m na superf&#xED;cie. Mesmo depois de tantas idas e vindas com a Freddie, n&#xE3;o sabe &#xA0;muito sobre ela. E n&#xE3;o tem interesse em perguntar. Voc&#xEA; nunca descobre quando ela estava falando a verdade ou n&#xE3;o. Voc&#xEA; nunca tem certeza do que ela sentia realmente. A Freddie tamb&#xE9;m nunca soube.</p><figure class="kg-card kg-image-card"><img src="https://digitalpress.fra1.cdn.digitaloceanspaces.com/nywxoio/2021/01/rosemary-valero-oconnell_1.png" class="kg-image" alt="Laura Dean vive terminando comigo" loading="lazy" width="1000" height="714"></figure><p>Laura Dean Vive Terminando Comigo &#xE9; um quadrinho escrito por Mariko Tamaki e ilustrado por Rosemary Valero-O&#x2019;Connell e acabou de ser publicado no Brasil pela Intr&#xED;nseca. A edi&#xE7;&#xE3;o est&#xE1; linda, a arte &#xE9; maravilhosa e vale muito a pena.Recomendo demais a compra.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[O que raios é Rolling Girls?]]></title><description><![CDATA[Um road trip fofinho no Japão pós-guerra?]]></description><link>https://larissafarabello.digitalpress.blog/o-que-raios-e-rolling-girls/</link><guid isPermaLink="false">5ff3a5fd94fcdb0001c0e09b</guid><category><![CDATA[anime]]></category><category><![CDATA[review]]></category><dc:creator><![CDATA[Larissa Farabello]]></dc:creator><pubDate>Tue, 05 Jan 2021 00:03:46 GMT</pubDate><media:content url="https://digitalpress.fra1.cdn.digitaloceanspaces.com/nywxoio/2021/01/160079-anime-The_Rolling_Girls.jpeg" medium="image"/><content:encoded><![CDATA[<img src="https://digitalpress.fra1.cdn.digitaloceanspaces.com/nywxoio/2021/01/160079-anime-The_Rolling_Girls.jpeg" alt="O que raios &#xE9; Rolling Girls?"><p>Como adivinhar sobre o que &#xE9; Rolling Girls? Como descrever a hist&#xF3;ria de Rolling Girls? &#xC0; primeira vista, as personagens principais d&#xE3;o um forte sinal de que pode ser mais um anime sobre garotas fofinhas fazendo coisas (no caso, andar de moto). Ent&#xE3;o o primeiro epis&#xF3;dio trouxe tanta a&#xE7;&#xE3;o e detalhes de constru&#xE7;&#xE3;o de mundo que eu descartei essa possibilidade. A abertura me deu impress&#xE3;o de que em algum momento o anime ia virar um K-on, o que tamb&#xE9;m n&#xE3;o aconteceu.</p><p>Ent&#xE3;o, o que &#xE9; Rolling Girls? Sobre o que &#xE9; Rolling Girls? &#xC9; um sobre nada. &#xC9; sobre v&#xE1;rias coisas. &#xC9; sobre tantas coisas que acaba sendo sobre nada. Mas para encaix&#xE1;-lo num retrato mais reconhec&#xED;vel, talvez a melhor forma de descrev&#xEA;-lo seja como um anime de road trip.</p><p>O objetivo das protagonistas &#xE9; completar miss&#xF5;es em uma jornada pelo Jap&#xE3;o p&#xF3;s-apocal&#xED;ptico (que tamb&#xE9;m n&#xE3;o se parece nem um pouco com o que voc&#xEA; esperaria de um mundo p&#xF3;s-apocal&#xED;ptico, mas vamos chegar l&#xE1;). O anime &#xE9; estruturado em arcos curtos, seguindo as paradas das garotas em cada cidade, onde elas tem que ajudar alguns dos habitantes. O arco pessoal de cada personagem fica mais no subtexto, com os epis&#xF3;dios em sua maioria focando em apresentar o mundo e as novas pessoas que elas conhecem.</p><p>No futuro de Rolling Girls, o Jap&#xE3;o est&#xE1; dividido em 10 cidades. Cada uma delas tem enfoque em alguma caracter&#xED;stica cultural do local, geralmente trazendo um conflito entre as tradi&#xE7;&#xF5;es e o mundo moderno, dividindo a popula&#xE7;&#xE3;o em diferentes fac&#xE7;&#xF5;es, beirando &#xE0; guerra civil. Cada fac&#xE7;&#xE3;o possui seu time de vigilantes, liderados por capit&#xE3;es com habilidades especiais. </p><p>Fazendo sua viagem em dire&#xE7;&#xE3;o ao sul, elas passam por uma Tokyo onde &#xE9; sempre Comiket, uma Kyoto em guerra civil entre gueixas e rockstars e uma Hiroshima dominada por piratas. Apesar de todas apresentarem seus problemas econ&#xF4;micos e sociais, elas parecem mil vezes mais pr&#xF3;speras do que voc&#xEA; esperaria ap&#xF3;s uma grande guerra que fragmentou o pa&#xED;s. </p><p>A anima&#xE7;&#xE3;o &#xE9; um espet&#xE1;culo colorido e vibrante, onde a viol&#xEA;ncia gera explos&#xF5;es de estrelas e luzes coloridas. A est&#xE9;tica &#xE9; prazerosa, d&#xE1; pra passar um epis&#xF3;dio s&#xF3; se perdendo nos visuais. Boa parte do apelo da jornada vem da&#xED;, com as particularidades de cada cidade saltando aos olhos enquanto as personagens exploram e aprendem seus costumes.</p><figure class="kg-card kg-image-card"><img src="https://digitalpress.fra1.cdn.digitaloceanspaces.com/nywxoio/2021/01/4xANNJZlKL2mFaM3ceJGQ9tdN7m9wbkCQ7g3ArqJN01P2ohCwGEcd0Xku4IhfsP_.jpeg" class="kg-image" alt="O que raios &#xE9; Rolling Girls?" loading="lazy" width="1200" height="675"></figure><p>A hist&#xF3;ria e os eventos t&#xEA;m bastante liberdade para ir em qualquer dire&#xE7;&#xE3;o, o que &#xE0;s vezes &#xE9; um absurdo divertido e &#xE0;s vezes &#xE9; um exagero sem prop&#xF3;sito. A maior falha de Rolling Girls talvez seja essa falta de prop&#xF3;sito. As ambi&#xE7;&#xF5;es das personagens n&#xE3;o movem a trama, as miss&#xF5;es realizadas n&#xE3;o tem um objetivo em comum na narrativa. Mesmo a trama principal, ao chegar ao seu final, n&#xE3;o d&#xE1; um senso de conclus&#xE3;o ou conquista. Falta crescimento. &#xC9; a velha situa&#xE7;&#xE3;o de que &#x201C;o verdadeiro presente s&#xE3;o os amigos que fizemos no caminho&#x201D; e &#x201C;a for&#xE7;a estava dentro de voc&#xEA; o tempo todo&#x201D;.</p><p>As personagens em si n&#xE3;o tem muita complexidade al&#xE9;m de seus objetivos iniciais. Encontrar as pedras da lua. Ficar mais forte. Completar as miss&#xF5;es que a pessoa que eu admiro deixou pra tr&#xE1;s. Suas personalidades seguem o molde padr&#xE3;o dos animes de garotas fazendo coisas, sendo f&#xE1;cil descrev&#xEA;-las em uma &#xFA;nica frase. A din&#xE2;mica entre elas &#xE9; agrad&#xE1;vel, mas nada al&#xE9;m disso. Elas s&#xE3;o mais um ve&#xED;culo para a explora&#xE7;&#xE3;o do mundo. V&#xE1;rios coadjuvantes t&#xEA;m potencial, por&#xE9;m aparecem por t&#xE3;o pouco tempo que n&#xE3;o s&#xE3;o capazes de contribu&#xED;rem na hist&#xF3;ria.</p><p>O anime tem ideias ambiciosas e um visual incr&#xED;vel, mas falta algo para ser &#xF3;timo. Talvez personagens marcantes ou uma hist&#xF3;ria coerente. &#xC9; uma boa pedida se voc&#xEA; quer um pouco de eye candy nonsense, 12 epis&#xF3;dios sem muito comprometimento. Nem tudo precisa ser uma obra prima cheia de significado pra ser uma experi&#xEA;ncia v&#xE1;lida ou bom entretenimento, e t&#xE1; tudo certo.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Como resolver um triângulo amoroso (ou não)]]></title><description><![CDATA[Vampire Knight Memories foi muito além de Crepúsculo]]></description><link>https://larissafarabello.digitalpress.blog/como-resolver-um-triangulo-amoroso/</link><guid isPermaLink="false">5f1663fafe737c0001daf534</guid><dc:creator><![CDATA[Larissa Farabello]]></dc:creator><pubDate>Mon, 27 Jul 2020 21:29:26 GMT</pubDate><media:content url="https://digitalpress.fra1.cdn.digitaloceanspaces.com/nywxoio/2020/07/Vampire.Knight.full.2461425--copy-.png" medium="image"/><content:encoded><![CDATA[<img src="https://digitalpress.fra1.cdn.digitaloceanspaces.com/nywxoio/2020/07/Vampire.Knight.full.2461425--copy-.png" alt="Como resolver um tri&#xE2;ngulo amoroso (ou n&#xE3;o)"><p>Voc&#xEA; &#xE0;s vezes para pra pensar sobre Vampire Knight? Eu penso bastante sobre Vampire Knight. E isso provavelmente n&#xE3;o &#xE9; uma coisa boa.</p><p>Vampire Knight foi um dos meus animes de entrada, a &#xE9;poca em que voc&#xEA; est&#xE1; disposta a engolir quase qualquer coisa que venha do Jap&#xE3;o. &#xC9; o Crep&#xFA;sculo dos shoujos, um tri&#xE2;ngulo amoroso com vampiros em que o vampirismo &#xE9; s&#xF3; um pano de fundo para impulsionar relacionamentos.</p><p>E &#xE9; um dos poucos tri&#xE2;ngulos dos animes em que os dois caras s&#xE3;o igualmente interessantes. O Zero e o Kaname s&#xE3;o dois gal&#xE3;s emos depr&#xEA;s com passado sombrio, com a mesma popularidade entre as f&#xE3;s do mang&#xE1;.</p><p>O Jacob e o Edward tamb&#xE9;m eram igualmente populares com a fanbase, mas a gente sempre soube com quem a Bella ia ficar no final. O Jacob estava l&#xE1; s&#xF3; pra criar tens&#xE3;o e ter mais coisas para escrever nas sequ&#xEA;ncias. A maioria dos mang&#xE1;s shoujo segue esse padr&#xE3;o, jogando um personagem novo de repente no meio da hist&#xF3;ria na hora que precisou causar conflito.</p><p>Vampire Knight n&#xE3;o foi assim. Os dois s&#xE3;o apresentados no in&#xED;cio e ambos est&#xE3;o presente na vida da Yuuki desde a inf&#xE2;ncia. E mesmo o Zero sendo mais mocinho e o Kaname ficando cada vez mais vil&#xE3;o no decorrer da hist&#xF3;ria, nunca fica 100% claro de quem a Yuuki gosta ou com quem ela vai ficar. Porque na real ela gosta dos dois. Ela s&#xF3; &#xE9; levada a se aproximar de um ou do outro pelos acontecimentos da hist&#xF3;ria.</p><p>(E agora eu vou come&#xE7;ar com os spoilers.)</p><figure class="kg-card kg-image-card kg-card-hascaption"><img src="https://digitalpress.fra1.cdn.digitaloceanspaces.com/nywxoio/2020/07/Vampire.Knight.full.2886467-2.png" class="kg-image" alt="Como resolver um tri&#xE2;ngulo amoroso (ou n&#xE3;o)" loading="lazy" width="1658" height="1200"><figcaption>Capa do cap&#xED;tulo 26</figcaption></figure><p>O enredo em si de Vampire Knight nunca importou muito, com uma enxurrada de pol&#xED;tica do mundo dos vampiros e antagonistas sem carisma. Eu nem me lembro de como acabou, s&#xF3; d&#xE1; sensa&#xE7;&#xE3;o de al&#xED;vio de n&#xE3;o ter mais que comprar o mang&#xE1; pra terminar a cole&#xE7;&#xE3;o. Voc&#xEA; s&#xF3; pode levar a enrola&#xE7;&#xE3;o de com quem a Yuuki vai ficar at&#xE9; certo ponto.</p><p>Mas no fim das contas, ela nunca faz uma escolha. E em vez de dar uma resolu&#xE7;&#xE3;o pro tri&#xE2;ngulo amoroso, com ela escolhendo um dos dois no final, ela fica com ambos em diferentes momentos. A vida eterna vampiresca &#xE9; conveniente e permite esse poliamor revezado por diferentes circunst&#xE2;ncias sobrenaturais. E de certa forma este final sem resolu&#xE7;&#xE3;o pareceu adequado.</p><p>Anos depois, foi anunciada uma sequ&#xEA;ncia, Vampire Knight Memories. E meu primeiro pensamento foi: Por qu&#xEA;? Quem quer uma coisa dessas? O que mais essa mulher vai inventar? A hist&#xF3;ria j&#xE1; estava se arrastando h&#xE1; tempos. Talvez a Matsuri Hino tivesse contra&#xED;do a s&#xED;ndrome de J. K. Rowling, soltando revela&#xE7;&#xF5;es aleat&#xF3;rias de Harry Potter quando ningu&#xE9;m se importa mais. Ou s&#xF3; estava faltando dinheiro pra reforma da cozinha.</p><p>Com o mang&#xE1; terminado, duas adapta&#xE7;&#xF5;es de anime de sucesso e uma fanbase consolidada, eu imagino que o Memories foi o momento em que a Matsuri Hino teve carta branca para fazer o que ela quisesse, agradando a si mesma e aos f&#xE3;s. N&#xE3;o h&#xE1; mais nada a perder.</p><p>Vampire Knight Memories conta o que aconteceu ap&#xF3;s o final do mang&#xE1;. Em sequ&#xEA;ncia direta desenvolvendo o relacionamento da Yuuki e do Zero, como em paralelo a vida do Kaname no futuro como humano depois da morte dos dois, acompanhado das duas filhas da Yuuki.</p><p>E essa &#xE9; mais uma interessant&#xED;ssima resolu&#xE7;&#xE3;o do tri&#xE2;ngulo amoroso. A Yuuki teve tanto uma filha com o Kaname quanto uma filha com o Zero. Uma filha com cada um. Pra que escolher? Voc&#xEA; pode escolher os dois. Pra que deixar o Kaname congelado por centenas de anos pra permitir isso? Vampire Knight Memories poderia ter sido um slice of life da rotina poliamorosa do trisal de vampiros e suas duas filhas. Transcenderia a obra original em todos os sentidos.</p><figure class="kg-card kg-image-card kg-card-hascaption"><img src="https://digitalpress.fra1.cdn.digitaloceanspaces.com/nywxoio/2020/07/Vampire.Knight.full.2728885-3.png" class="kg-image" alt="Como resolver um tri&#xE2;ngulo amoroso (ou n&#xE3;o)" loading="lazy" width="827" height="1200"><figcaption>Capa do cap&#xED;tulo 25</figcaption></figure><p>A primeira filha, Ai, &#xE9; uma princesinha puro-sangue que se apaixona completamente pelo Zero. Seu principal papel no in&#xED;cio do mang&#xE1; &#xE9; formar um tri&#xE2;ngulo amoroso com a pr&#xF3;pria m&#xE3;e. Quando os dois adultos se resolvem e enfim ficam juntos, ela &#xE9; obrigada a seguir em frente.</p><p>E logo depois, nasce a Ren, meio vampira puro-sangue e meio ca&#xE7;adora de vampiro transformado em vampiro (ou qualquer tipo de gen&#xE9;tica t&#xE3;o complexa quanto a do Ichigo de Bleach). Com personalidade quieta e calma parecida com a do pai, ela vira o alvo dos mimos da Ai, &#xA0;superprotetora e apegada &#xE0; irm&#xE3;zinha.</p><p>&#x200C;Vamos recapitular Crep&#xFA;sculo. Garota adolescente &#xE9; disputada por um vampiro e um lobisomem. Ela se casa com o vampiro e eles tem uma filha. Ent&#xE3;o &#xE9; revelado que a filha &#xE9; a alma g&#xEA;mea do lobisomem e o tri&#xE2;ngulo amoroso se resolve pacificamente com uma desculpa do tipo: &#x201C;Na verdade, eu nunca gostei de voc&#xEA;, Bella, eu s&#xF3; me sentia atra&#xED;do por voc&#xEA; porque o destino nos unia&#x201D;. Conveniente, n&#xE3;o?</p><p>Vampire Knight n&#xE3;o fez uma palha&#xE7;ada dessas. Vampire Knight foi muito al&#xE9;m.</p><p>Conforme a Ren cresce, o relacionamento das duas vai evoluindo, com frases sugestivas no estilo de &#x201C;Estou com uma vontade incontrol&#xE1;vel de sugar o sangue da minha irm&#xE3;&#x201D;.</p><p>Sugar o sangue de algu&#xE9;m em Vampire Knight &#xE9; um neg&#xF3;cio super &#xED;ntimo, e n&#xE3;o duvido que tenha servido de template para atrocidades como Diabolik Lovers. E se voc&#xEA; achou estranho os momentos que o Zero bebe o sangue do Kaname: sim, tinha mesmo uma super tens&#xE3;o sexual ali. Mais um ponto pro trisal.</p><p>Ent&#xE3;o a Ren est&#xE1; receosa com esse desejo, achando que isso vai estragar seu relacionamento com a irm&#xE3; e a imagem que ela tem. A Ai por outro lado est&#xE1; ansiosa por isso, e s&#xF3; aguarda o momento em que a Ren toma coragem. E &#xE9; assim que se resolve o terr&#xED;vel tri&#xE2;ngulo amoroso entre a Yuuki, a Ai e o Zero, com o convenientemente nascimento da Ren que &#xE9; basicamente o Zero em formato de imouto perdidamente apaixonada pela onee-chan.</p><p>Ningu&#xE9;m jamais imaginava que esse seria o plot de Vampire Knight Memories. Ningu&#xE9;m pediu por isso. Ningu&#xE9;m sabia que precisava. Mas a Matsuri Hino foi al&#xE9;m das nossas expectativas e fez um ship incestuoso gender bender de Zero e Kaname.</p><figure class="kg-card kg-image-card"><img src="https://digitalpress.fra1.cdn.digitaloceanspaces.com/nywxoio/2020/07/o9bu5cctper41-1.jpg" class="kg-image" alt="Como resolver um tri&#xE2;ngulo amoroso (ou n&#xE3;o)" loading="lazy" width="640" height="771"></figure><p>Se voc&#xEA; j&#xE1; leu ou assistiu Vampire Knight, incesto n&#xE3;o &#xE9; nenhuma surpresa. Afinal, a Yuuki e o Kaname s&#xE3;o irm&#xE3;os (o Kaname na verdade &#xE9; um ancestral dos Kuran no corpo do irm&#xE3;o da Yuuki, mas isso a&#xED; &#xE9; outra hist&#xF3;ria). Os pais deles tamb&#xE9;m eram irm&#xE3;os, o que &#xE9; uma pr&#xE1;tica comum entre vampiros sangue-puro para manter a linhagem.</p><p>Agora vamos parar um pouco para pensar em como seria a hist&#xF3;ria se todo mundo fosse humano.</p><p>O senpai por quem voc&#xEA; &#xE9; apaixonada &#xE9; seu irm&#xE3;o mais velho. E olha s&#xF3;, &#xE9; rec&#xED;proco. Seus pais eram irm&#xE3;os tamb&#xE9;m, ali&#xE1;s. O problema &#xE9; que voc&#xEA; tamb&#xE9;m gosta do seu irm&#xE3;o adotivo. Mas a&#xED; voc&#xEA; vai morar com seu irm&#xE3;o biol&#xF3;gico e tem uma filha com ele. E seu irm&#xE3;o biol&#xF3;gico sai de figura e voc&#xEA; pode finalmente viver seu romance com seu irm&#xE3;o adotivo. S&#xF3; que sua filha com seu irm&#xE3;o biol&#xF3;gico tamb&#xE9;m se apaixonou por ele. Mas tudo se resolve, porque depois voc&#xEA; tem outra filha, com o irm&#xE3;o adotivo dessa vez. E as duas irm&#xE3;s se apaixonam e todo mundo vive feliz pra sempre.</p><p>Tudo isso s&#xF3; foi poss&#xED;vel gra&#xE7;as a um simples argumento: Eles s&#xE3;o vampiros.</p><p>Isso deu a liberdade pra Matsuri Hino criar relacionamentos do jeito que ela quisesse. Sim, eles se parecem exatamente conosco e tem uma estrutura comportamental e social muit&#xED;ssimo parecida, mas &#xE9; <em>diferente. </em>N&#xE3;o podemos julgar seus h&#xE1;bitos com nossos olhos humanos.</p><p>Tire a humanidade de seus personagens e voc&#xEA; pode se utilizar de qualquer tabu de forma razoavelmente aceit&#xE1;vel para o p&#xFA;blico.</p><figure class="kg-card kg-image-card kg-card-hascaption"><img src="https://digitalpress.fra1.cdn.digitaloceanspaces.com/nywxoio/2020/07/74484293_1002531150084872_7283107972337631232_o-4.jpg" class="kg-image" alt="Como resolver um tri&#xE2;ngulo amoroso (ou n&#xE3;o)" loading="lazy" width="1024" height="699"><figcaption>Capa do volume 5</figcaption></figure><p>Com a exist&#xEA;ncia das filhas, a Matsuri Hino n&#xE3;o s&#xF3; tornou a resolu&#xE7;&#xE3;o do tri&#xE2;ngulo amoroso mais amb&#xED;gua como adicionou camadas de complexidade que se extenderam at&#xE9; as pr&#xF3;ximas gera&#xE7;&#xF5;es. Tudo isso foi completamente terr&#xED;vel e eu adorei exatamente pelo qu&#xE3;o absurdamente longe ela levou as coisas e por como foi poss&#xED;vel algum editor falar pra ela que isso era uma boa ideia.</p><p>Ainda n&#xE3;o sei como foi a recep&#xE7;&#xE3;o dos f&#xE3;s, mas foi boa o suficiente pro mang&#xE1; chegar a ser <a href="https://www.amazon.com.br/Vampire-Knight-Memories-Vol-1/dp/8542622448/">publicado aqui no Brasil</a>. E eu sou uma das pessoas que est&#xE1; colecionando ele. N&#xE3;o me pergunte o por que. </p><p>Talvez eu s&#xF3; goste de ver o trem descarrilhando. Talvez eu s&#xF3; queira saber o qu&#xE3;o mais longe a Matsuri Hino consegue ir.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Blooming Sequence]]></title><description><![CDATA[Tudo que um webtoon Girls Love deveria ser]]></description><link>https://larissafarabello.digitalpress.blog/blooming-sequence/</link><guid isPermaLink="false">5f192111f88f5c0001741706</guid><dc:creator><![CDATA[Larissa Farabello]]></dc:creator><pubDate>Thu, 23 Jul 2020 16:13:36 GMT</pubDate><media:content url="https://digitalpress.fra1.cdn.digitaloceanspaces.com/nywxoio/2020/07/39810129._UX1200_SS1200_.jpg" medium="image"/><content:encoded><![CDATA[<img src="https://digitalpress.fra1.cdn.digitaloceanspaces.com/nywxoio/2020/07/39810129._UX1200_SS1200_.jpg" alt="Blooming Sequence"><p>Existe t&#xE3;o pouca representa&#xE7;&#xE3;o l&#xE9;sbica em animes e mang&#xE1;s que eu costumo aceit&#xE1;-la em qualquer forma que me for apresentada. <a href="https://www.lezhin.com/en/comic/herpet">Agir como se voc&#xEA; fosse o cachorro perdido da garota que voc&#xEA; gosta?</a> Tudo bem. <a href="https://www.lezhin.com/en/comic/whiteangels">Relacionamentos abusivos</a>, <a href="https://www.lezhin.com/en/comic/pulse">hist&#xF3;rias mal escritas e altamente sexualizadas</a>? Beleza. E os mang&#xE1;s com enredos no estilo <a href="https://www.amazon.com.br/Citrus-01-V%C3%A1rios-Autores/dp/858362240X/">&#x201C;mas elas n&#xE3;o s&#xE3;o irm&#xE3;s de verdade&#x201D;</a> e &#x201C;<a href="https://www.amazon.com.br/NTR-Netsuzou-Trap-Vol-1/dp/1626923353/">temos namorados e isso &#xE9; s&#xF3; brincadeira</a>&#x201D;? J&#xE1; li todos, mesmo que problem&#xE1;ticos ou de qualidade duvidosa.</p><p>Ent&#xE3;o eu li Blooming Sequence. E ele me fez perceber o qu&#xE3;o pouco eu tinha esperado de Girls Love e yuri at&#xE9; ali.</p><p>Tudo bem escapar da realidade &#xE0;s vezes, e me diverti com a leitura de v&#xE1;rios dos webtoons e mang&#xE1;s que eu mencionei. Apesar dos apesares, eles n&#xE3;o s&#xE3;o necessariamente ruins. O que eu mais busco nessas hist&#xF3;rias &#xE9; identifica&#xE7;&#xE3;o, e em cada uma tem um pouco de mim, uma afirma&#xE7;&#xE3;o de que eu existo e posso existir.</p><p>E estou acostumada com isso. Com todos os relacionamentos conturbados e desenvolvimentos pouco realistas. Foi assim que a maioria das hist&#xF3;rias LGBT chegaram para mim e at&#xE9; como eu descobri que esses tipos de relacionamentos podiam existir, mesmo em m&#xED;dias ocidentais. Foi por onde eu explorei as possibilidades enquanto uma adolescente no arm&#xE1;rio cheia de d&#xFA;vidas e foi importante e necess&#xE1;rio, mesmo que n&#xE3;o ideal.</p><p>Agora, como uma mulher de 23 anos fora do arm&#xE1;rio que j&#xE1; teve experi&#xEA;ncias reais de relacionamento, tem muita coisa dif&#xED;cil de engolir.</p><p>Claro, eu sou brasileira, e mesmo consumindo animes e mang&#xE1;s desde a inf&#xE2;ncia, estou muito distante dessa cultura e do ambiente que gera essas hist&#xF3;rias. Por mais que eu tenha uma ideia geral, tenho pouca no&#xE7;&#xE3;o real de como &#xE9; ser gay nesses pa&#xED;ses, e a forma como isso &#xE9; traduzido na m&#xED;dia n&#xE3;o ajuda.</p><p>Existem alguns mang&#xE1;s incr&#xED;veis como <a href="https://www.amazon.com.br/Our-Dreams-Dusk-Shimanami-Tasogare/dp/1642750603/">Shimanami Tasogare</a> e <a href="https://www.amazon.com.br/Marido-Do-Meu-Irm%C3%A3o-Vol/dp/8542619609/">O Marido Do Meu Irm&#xE3;o</a> que tratam de temas LGBT com delicadeza e profundidade. Mas quantos <a href="https://www.amazon.com.br/Minha-Experi%C3%AAncia-L%C3%A9sbica-Com-Solid%C3%A3o/dp/8583622868/">Minha Experi&#xEA;ncia L&#xE9;sbica Com a Solid&#xE3;o</a> existem para cada Netsuzou Trap? Al&#xE9;m disso, eu n&#xE3;o quero s&#xF3; boas hist&#xF3;rias sobre ser gay. Quero boas hist&#xF3;rias em que por acaso os personagens s&#xE3;o gays. E isso &#xE9; muito mais dif&#xED;cil de encontrar.</p><figure class="kg-card kg-image-card"><img src="https://digitalpress.fra1.cdn.digitaloceanspaces.com/nywxoio/2020/07/DdmgT2LVAAAymxA.jpeg" class="kg-image" alt="Blooming Sequence" loading="lazy" width="1080" height="864"></figure><p>Blooming Sequence &#xE9; um webtoon coreano publicado no <a href="https://www.lezhin.com/en/comic/blooming_en">Lehzin</a>, e eu esperava que tivesse a mesma energia de algo como <a href="https://www.lezhin.com/en/comic/lovedoctor">The Love Doctor</a> ou <a href="https://www.tappytoon.com/en/series/foxsaym/1">What Does The Fox Say</a>. Divertido, &#xF3;tima arte, por&#xE9;m longe de ser espetacular ou emocionante. O come&#xE7;o da obra tem um tom similar, mas seu desenvolvimento vai por outra linha.</p><p>N&#xE3;o &#xE9; algo dram&#xE1;tico. N&#xE3;o &#xE9; como se tivesse uma completa mudan&#xE7;a de tom ou de eventos comparada aos seus semelhantes. &#xC9; mais como se ele contasse a mesma hist&#xF3;ria, por&#xE9;m no mundo real. Com problemas reais e pessoas de verdade. De novo, sem nenhuma mudan&#xE7;a dram&#xE1;tica na forma de contar essa hist&#xF3;ria. Isso &#xE9; feito de forma simples e sutil.</p><p>S&#xE3;o as pequenas coisas que nos deixam com medo. As rea&#xE7;&#xF5;es que n&#xE3;o podemos prever das pessoas que s&#xE3;o importantes pra n&#xF3;s. Pequenos sinais que voc&#xEA; n&#xE3;o tem certeza se os outros est&#xE3;o detectando ou n&#xE3;o. O medo de que algu&#xE9;m que voc&#xEA; conhece pode estar por perto onde quer que voc&#xEA; esteja. S&#xF3; se sentir segura quando est&#xE3;o s&#xF3; voc&#xEA;s duas. Voc&#xEA;s podem andar de m&#xE3;os dadas em p&#xFA;blico? Seus amigos j&#xE1; perceberam qu&#xE3;o pr&#xF3;ximas voc&#xEA;s est&#xE3;o? Eles suspeitam alguma coisa? E se eles suspeitarem? E se eles souberem?</p><p>Eu n&#xE3;o posso medir o realismo dessa situa&#xE7;&#xE3;o na Coreia, mas eu reconheci esses momentos. Eu vivi isso, e essa sensa&#xE7;&#xE3;o &#xE9; semelhante em qualquer lugar do mundo em que voc&#xEA; esteja. Eu me identifiquei e isso validou minha experi&#xEA;ncia.</p><p>Esse n&#xE3;o &#xE9; nem de longe o tema principal da hist&#xF3;ria, mas s&#xE3;o elementos da realidade das personagens, que afetam seu relacionamento. Ambas tem objetivos, amizades, conflitos do passado, problemas familiares para resolver e crescimento emocional pelo qual ainda tem que passar se quiserem ficar juntas de forma saud&#xE1;vel. Elas s&#xE3;o falhas, e est&#xE3;o dispostas a mudar e ajudar uma a outra nesse caminho.</p><p>Seowoo e Hayoung s&#xE3;o duas estudantes universit&#xE1;rias que se conhecem no clube de cinema da faculdade. Compartilhando do interesse por filmes de Hong Kong como Chunking Express e Amor &#xE0; Flor da Pele, elas se aproximam e desenvolvem sentimentos m&#xFA;tuos. Seowoo, a presidente do clube, tem dificuldade para lidar com pessoas e confrontar seus pais, mas &#xE9; admirada por todos os amigos pr&#xF3;ximos e est&#xE1; cheia de expectativas com sua primeira experi&#xEA;ncia rom&#xE2;ntica. Hayoung aparenta ser muito mais extrovertida e animada, mas est&#xE1; hesitante, pois ainda lida com o t&#xE9;rmino de seu relacionamento anterior e por isso n&#xE3;o tem confian&#xE7;a de que o novo poderia funcionar.</p><p>As motiva&#xE7;&#xF5;es do casal principal fazem sentido e a maturidade conquistada no decorrer da hist&#xF3;ria &#xE9; vis&#xED;vel. &#xC9; uma li&#xE7;&#xE3;o em como desenvolver um relacionamento e como tratar uma a outra. O ritmo n&#xE3;o &#xE9; lento demais para criar expectativa ou r&#xE1;pido demais para gerar conflitos, &#xE9; natural e satisfat&#xF3;rio. N&#xF3;s temos tempo para v&#xEA;-las se interessando uma pela outra, se conhecendo, se aproximando e aprendendo a lidar com a rela&#xE7;&#xE3;o. Os coadjuvantes s&#xE3;o divertidos e bem constru&#xED;dos, com at&#xE9; a ex-namorada maligna tendo sua pr&#xF3;pria hist&#xF3;ria e se redimindo dessa caracteriza&#xE7;&#xE3;o.</p><p>N&#xE3;o poderiam todos os Girls Love e yuri serem desse jeito? Nem todas as hist&#xF3;rias precisam ser centradas nos temas de homofobia e como gays s&#xE3;o vistos na sociedade, mas ser&#xE1; que elas precisam mesmo existir num mundo de fantasia onde isso n&#xE3;o existe ou &#xE9; ignorado? Blooming Sequence conta uma boa hist&#xF3;ria incluindo esses elementos, e &#xE9; t&#xE3;o mais rica por conta disso. Quero muitas outras obras assim.</p><figure class="kg-card kg-image-card"><img src="https://digitalpress.fra1.cdn.digitaloceanspaces.com/nywxoio/2020/07/EQDdjMoXYAATVdn.jpeg" class="kg-image" alt="Blooming Sequence" loading="lazy" width="1033" height="1285"></figure>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[High School]]></title><description><![CDATA[A adolescência de Tegan e Sara]]></description><link>https://larissafarabello.digitalpress.blog/high-school/</link><guid isPermaLink="false">5f152246fe737c0001daf420</guid><category><![CDATA[livro]]></category><category><![CDATA[tegan and sara]]></category><category><![CDATA[review]]></category><category><![CDATA[high school]]></category><category><![CDATA[lgbt]]></category><category><![CDATA[nao-ficcao]]></category><category><![CDATA[memorias]]></category><dc:creator><![CDATA[Larissa Farabello]]></dc:creator><pubDate>Thu, 23 Jul 2020 04:12:49 GMT</pubDate><media:content url="https://digitalpress.fra1.cdn.digitaloceanspaces.com/nywxoio/2020/07/gallery6.jpg" medium="image"/><content:encoded><![CDATA[<img src="https://digitalpress.fra1.cdn.digitaloceanspaces.com/nywxoio/2020/07/gallery6.jpg" alt="High School"><p>A primeira coisa que me ajudou enquanto eu descobria minha sexualidade foi encontrar hist&#xF3;rias com as quais eu pudesse me identificar. Ao ouvir as trajet&#xF3;rias de outras pessoas e acompanhar os infort&#xFA;nios de personagens fict&#xED;cios, eu sabia que n&#xE3;o estava sozinha. Eu n&#xE3;o era a primeira. Muitas pessoas j&#xE1; haviam passado por isso antes, de uma maneira semelhante, e estava tudo bem. Era normal se sentir assim. E vai passar, vai melhorar.</p><p>Quando encontrei Tegan e Sara, finalmente tive m&#xFA;sicas rom&#xE2;nticas que eram sobre o tipo de amor que eu entendia. N&#xE3;o precisava fazer adapta&#xE7;&#xF5;es, mudar as coisas para que fizessem sentido para mim. N&#xE3;o precisei for&#xE7;ar para me encaixar em hist&#xF3;rias de outras pessoas. Quando elas cantavam, eu pertencia. Mesmo assim, as letras n&#xE3;o eram espec&#xED;ficas, eram universais. E o fato de qualquer pessoa tamb&#xE9;m poder se identificar me dava uma tremenda sensa&#xE7;&#xE3;o de normalidade e al&#xED;vio.</p><p>Acho que o mesmo pode ser dito sobre essas mem&#xF3;rias. N&#xE3;o &#xE9; apenas para f&#xE3;s, a hist&#xF3;ria de crescer, explorar sua juventude e se descobrir pode agradar a qualquer um. Al&#xE9;m disso, sua paix&#xE3;o, suas lutas e conquistas ao iniciar uma carreira musical s&#xE3;o cativantes. E assim como podemos ver em seus shows ao vivo, elas s&#xE3;o muito engra&#xE7;adas.</p><p>A intimidade deste livro foi surpreendente. Com cada cap&#xED;tulo sendo escrito das perspectiva de uma das irm&#xE3;s, poucas informa&#xE7;&#xF5;es s&#xE3;o poupadas, dando-nos um relato minucioso de seus anos de ensino m&#xE9;dio. O ambiente ganha vida, t&#xE3;o pr&#xF3;ximo que muitas vezes parece mais fic&#xE7;&#xE3;o do que um livro de mem&#xF3;rias. Vemos com detalhe seus tumultuosos relacionamentos com amigos, namoradas, namorados e familiares, assim como entre as duas (facilmente o mais importante e complexo de todos).</p><p>Ao ler este livro, senti que era exatamente o que eu precisava quando estava no ensino m&#xE9;dio. Se j&#xE1; existisse naquela &#xE9;poca, tenho certeza de que aliviaria meus medos, confortaria minhas noites sem dormir e me faria companhia atrav&#xE9;s das d&#xFA;vidas e descobertas, da mesma maneira que as m&#xFA;sicas delas fizeram. E fico feliz que ele esteja aqui para outros jovens a partir de agora.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[O Mundo de Gelo e Fogo]]></title><description><![CDATA[Me aprofundando na criação de George R.R. Martin]]></description><link>https://larissafarabello.digitalpress.blog/o-mundo-de-gelo-e-fogo/</link><guid isPermaLink="false">5f1521fefe737c0001daf410</guid><category><![CDATA[livro]]></category><category><![CDATA[review]]></category><category><![CDATA[george r r martin]]></category><category><![CDATA[o mundo de gelo e fogo]]></category><dc:creator><![CDATA[Larissa Farabello]]></dc:creator><pubDate>Thu, 23 Jul 2020 04:07:17 GMT</pubDate><media:content url="https://digitalpress.fra1.cdn.digitaloceanspaces.com/nywxoio/2020/07/westerosjoust.jpg" medium="image"/><content:encoded><![CDATA[<img src="https://digitalpress.fra1.cdn.digitaloceanspaces.com/nywxoio/2020/07/westerosjoust.jpg" alt="O Mundo de Gelo e Fogo"><p>A maior for&#xE7;a da fantasia &#xE9; o desconhecido. O mist&#xE9;rio, a aventura da descoberta. &#xA0;Algo quase que perdido no mundo moderno. Me pergunto como devia ser a sensa&#xE7;&#xE3;o de n&#xE3;o saber como era o mundo, navegar para terras distantes, ver coisas inimagin&#xE1;veis, novos povos, cidades, l&#xED;nguas, animais. Nenhum de n&#xF3;s viu tudo isso na pr&#xE1;tica, mas existe tanta informa&#xE7;&#xE3;o dispon&#xED;vel que tudo parece familiar.</p><p>O Mundo De Gelo e Fogo conta a hist&#xF3;ria conhecida de Westeros, atrav&#xE9;s do conhecimento limitado que os habitantes t&#xEA;m sobre seu pr&#xF3;prio mundo, misturando fatos e &#xA0;mitos. O livro brilha mais quando se aprofunda no desconhecido. Quanto menos familiarizados os personagens da s&#xE9;rie original est&#xE3;o com aquilo, mais eu me sentia compelida a absorver cada palavra sobre. O que foi a Longa Noite? O que aconteceu com Valyria? O que &#xE9; o Deus Afogado, a pedra negra e outros mist&#xE9;rios antigos? Tudo que sabemos vem de arquivos escassos e deteriorados ou de relatos pouco confi&#xE1;veis de viajantes.</p><p>Fechei o livro e minha mente continuou acelerada. N&#xE3;o me deu respostas, mas continuo obcecada. Longas noites pensando em como devem ser Sothoryos e Ulthos, imaginando se Dany algum dia iria a Yi Ti ou Asshai para que eu pudesse v&#xEA;-las. Buscando compulsivamente teorias de f&#xE3;s que pudessem me dar algum insight. Sa&#xED; me sentindo uma especialista, mas acabei s&#xF3; ganhando mais perguntas.</p><p>&#xC9; empolgante ver quantas narrativas complexas j&#xE1; existem e n&#xE3;o se pode deixar de imaginar como seria se alguns deles tivessem seu pr&#xF3;prio momento, saber sobre Nymeria e a guerra entre os primeiros homens e os filhos da floresta ou sobre a Rebeli&#xE3;o de Robert e Tywin Lannister se tornando m&#xE3;o do rei.</p><p>O livro pode ser muito dif&#xED;cil de acompanhar, especialmente quando apresenta a hist&#xF3;ria de cada uma das principais fam&#xED;lias, com os personagens centrais dos eventos tendo pouca ou nenhuma caracteriza&#xE7;&#xE3;o e contexto. J&#xE1; que &#xE9; imposs&#xED;vel descrever com tantos detalhes todo o escopo que George e sua equipe cobrem aqui, &#xE9; nossa a miss&#xE3;o de acompanhar e tentar preencher os espa&#xE7;os em branco.</p><p>Se voc&#xEA; tiver curiosidade sobre o universo e estiver disposto a enfrentar toda a densidade de informa&#xE7;&#xF5;es, certamente encontrar&#xE1; momentos not&#xE1;veis. Este livro &#xE9; rico, amplo e digno do seu tempo. Agora vou para Fogo &amp; Sangue para saciar minha sede at&#xE9; que Os Ventos De Inverno chegue.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Tranny]]></title><description><![CDATA[A libertação de Laura Jane Grace]]></description><link>https://larissafarabello.digitalpress.blog/tranny/</link><guid isPermaLink="false">5f1523eafe737c0001daf49c</guid><category><![CDATA[livro]]></category><category><![CDATA[review]]></category><category><![CDATA[biography]]></category><category><![CDATA[lgbt]]></category><category><![CDATA[laura jane grace]]></category><category><![CDATA[against me]]></category><category><![CDATA[tranny]]></category><dc:creator><![CDATA[Larissa Farabello]]></dc:creator><pubDate>Thu, 23 Jul 2020 04:02:50 GMT</pubDate><media:content url="https://digitalpress.fra1.cdn.digitaloceanspaces.com/nywxoio/2020/07/IMG-20200514-WA0096.jpg" medium="image"/><content:encoded><![CDATA[<img src="https://digitalpress.fra1.cdn.digitaloceanspaces.com/nywxoio/2020/07/IMG-20200514-WA0096.jpg" alt="Tranny"><p>Tranny &#xE9; a terceira autobiografia escrita por um m&#xFA;sico LGBT que li nessa quarentena. Baseado nos di&#xE1;rios que Laura Jane Grace manteve desde a juventude, vemos dentro do panorama da hist&#xF3;ria de sua banda, Against Me!, sua jornada de aceita&#xE7;&#xE3;o.</p><p>A raiz da ideologia punk deveria permitir que a cena fosse um espa&#xE7;o seguro e livre para as pessoas se expressarem, enquanto elas representassem seus princ&#xED;pios e se mantivessem longe das grandes corpora&#xE7;&#xF5;es. Na pr&#xE1;tica, em muitas cenas, a roupa errada, o cabelo longo demais ou um som que n&#xE3;o se encaixe no que as outras bandas est&#xE3;o fazendo &#xE9; o suficiente para excluir algu&#xE9;m.</p><p>O Against Me! nasceu dessas ideias e por anos foi um representante exemplar do DIY, usando sua m&#xFA;sica como uma manifesta&#xE7;&#xE3;o pol&#xED;tica. Todo esse respeito conquistado n&#xE3;o sobreviveu ao momento em que eles assinaram com uma grande gravadora, sendo tachados como traidores. Da&#xED; seguiram in&#xFA;meros boicotes, vaias e confus&#xF5;es nos shows, at&#xE9; brigas de bar que acabaram em tribunal.</p><p>Mas dentro dessa cena dominada pelo masculino, se escondia um conflito maior do que o cr&#xE9;dito punk da banda: a disforia de g&#xEA;nero de sua vocalista. Presente desde mem&#xF3;rias remotas da inf&#xE2;ncia, Laura Jane Grace tentou reprimir esses pensamentos com &#xE1;lcool, drogas e excessos, exorcizando a dor nas m&#xFA;sicas e revelando fragmentos secretos de si em suas letras. Na superf&#xED;cie, se obrigava a rir junto enquanto os companheiros de banda faziam coment&#xE1;rios transf&#xF3;bicos. Por dentro, sentia o imenso desconforto de saber que poderia um dia ser alvo da mesma discrimina&#xE7;&#xE3;o.</p><p>O que os f&#xE3;s iriam pensar? O que a banda vai pensar? Sua esposa? Sua filha? Gradativamente percebeu que a transi&#xE7;&#xE3;o n&#xE3;o se tratava de uma escolha. E que ia custar muito.</p><p>Foi uma decis&#xE3;o que quase dissolveu a banda, mas que trouxe seu disco mais aclamado pela cr&#xED;tica. Corroeu o casamento com o amor de sua vida, enquanto a representatividade de uma pessoa trans na frente de uma banda punk trouxe toda uma nova leva de f&#xE3;s inspirados por sua hist&#xF3;ria dentro e fora da cena.</p><p>Esse livro funciona como uma liberta&#xE7;&#xE3;o tanto quanto o &#xE1;lbum Transgender Dysphoria Blues, onde pela primeira vez sua identidade n&#xE3;o esteve escondida nas entrelinhas. Laura Jane Grace pode finalmente ser ela mesma.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Festa]]></title><description><![CDATA[A experimentação literária de Vitor Brauer]]></description><link>https://larissafarabello.digitalpress.blog/festa/</link><guid isPermaLink="false">5f15249cfe737c0001daf4c2</guid><category><![CDATA[livro]]></category><category><![CDATA[review]]></category><category><![CDATA[contos]]></category><category><![CDATA[vitor brauer]]></category><category><![CDATA[festa]]></category><category><![CDATA[lupe de lupe]]></category><category><![CDATA[ficcao]]></category><dc:creator><![CDATA[Larissa Farabello]]></dc:creator><pubDate>Thu, 23 Jul 2020 04:02:16 GMT</pubDate><media:content url="https://digitalpress.fra1.cdn.digitaloceanspaces.com/nywxoio/2020/07/20200531_154612.jpg" medium="image"/><content:encoded><![CDATA[<img src="https://digitalpress.fra1.cdn.digitaloceanspaces.com/nywxoio/2020/07/20200531_154612.jpg" alt="Festa"><p>Publicado de forma independente, Festa &#xE9; um conjunto de contos e o livro de estreia do cantor e compositor Vitor Brauer. Eu conheci o trabalho dele gra&#xE7;as &#xE0; sua banda, Lupe de Lupe. Pode ser tanto encontrado como ebook como adquirido diretamente com ele.</p><p>Os contos n&#xE3;o seguem uma consist&#xEA;ncia tem&#xE1;tica ou estil&#xED;stica, estando vagamente conectados por festas. A narra&#xE7;&#xE3;o vai da poesia, pra fantasia, pro fluxo de consci&#xEA;ncia, pra pe&#xE7;as. Um dos contos at&#xE9; brinca com essa caracter&#xED;stica, tendo seu narrador trocando a forma como narra sua hist&#xF3;ria diversas vezes, fazendo refer&#xEA;ncia aos autores que admira e em quem se inspira.</p><p>O livro n&#xE3;o &#xE9; perfeito e nem precisa ser. &#xC9; um experimento, um escritor se descobrindo e explorando suas possibilidades. N&#xE3;o vai te deixar impressionado com sua narrativa e qualidades liter&#xE1;rias. Alguns contos v&#xE3;o ter ideias &#xF3;timas que voc&#xEA; desejaria que ele explorasse mais. Outros v&#xE3;o parecer n&#xE3;o ter objetivo nenhum. E isso &#xE9; suficiente.</p><p>Sendo uma pessoa de personalidade t&#xE3;o marcante e carism&#xE1;tica, com uma forma bem caracter&#xED;stica de compor, me surpreendi ao ver o quanto ele desapareceu por tr&#xE1;s de seus personagens e estilos, mesmo sendo essa uma obra autoficcional, deixando cada um deles brilhando individualmente.</p><p>A palavra que melhor descreve minha experi&#xEA;ncia ao l&#xEA;-lo &#xE9;: inspirador. A liberdade com que foi escrito, as diversas possibilidades que explora em t&#xE3;o poucas p&#xE1;ginas, a confian&#xE7;a, leveza e honestidade com que os contos foram escritos. Me fez querer ver mais disso. Abriu para mim um campo inexplorado de como eu posso escrever. Eu vi o quanto eu me limito e o quanto escrever &#xE9; muito mais aberto e divertido e agrade&#xE7;o o Vitor por isso. Aguardo com expectativa os pr&#xF3;ximos contos e a evolu&#xE7;&#xE3;o dele enquanto escritor.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[A Vegetariana]]></title><description><![CDATA[Estranhamento e desconforto por Han Kang]]></description><link>https://larissafarabello.digitalpress.blog/a-vegetariana/</link><guid isPermaLink="false">5f1522defe737c0001daf44a</guid><category><![CDATA[livro]]></category><category><![CDATA[review]]></category><category><![CDATA[fiction]]></category><category><![CDATA[a vegetariana]]></category><category><![CDATA[han kang]]></category><dc:creator><![CDATA[Larissa Farabello]]></dc:creator><pubDate>Thu, 23 Jul 2020 04:01:53 GMT</pubDate><media:content url="https://digitalpress.fra1.cdn.digitaloceanspaces.com/nywxoio/2020/07/20200409_120524.jpg" medium="image"/><content:encoded><![CDATA[<img src="https://digitalpress.fra1.cdn.digitaloceanspaces.com/nywxoio/2020/07/20200409_120524.jpg" alt="A Vegetariana"><p>O t&#xED;tulo do livro se refere a protagonista, Yeong-hye, que certo dia, ap&#xF3;s acordar de um sonho, decide parar de comer carne. Ela mesma nunca chama isso de vegetarianismo, e sua avers&#xE3;o a qualquer alimento proveniente de animais tem ra&#xED;zes em antigos traumas sendo somente o pren&#xFA;ncio para o decl&#xED;nio de sua sanidade como um todo. Mas al&#xE9;m dos sonhos, n&#xE3;o vemos nenhum dos acontecimentos de sua perspectiva. O desenrolar da hist&#xF3;ria &#xE9; narrado pelos membros de sua fam&#xED;lia, onde causou rea&#xE7;&#xF5;es distintas. </p><p>N&#xF3;s somos apresentados a ela atrav&#xE9;s da indiferen&#xE7;a de seu marido. Antes vista por ele como a esposa ideal que n&#xE3;o causava problemas, logo se torna um inconveniente e motivo de vergonha. Sua fam&#xED;lia corrobora essa vis&#xE3;o, e conforme sua condi&#xE7;&#xE3;o se agrava, os protestos e interven&#xE7;&#xF5;es v&#xE3;o se tornando mais agressivos. </p><p>Enquanto isso, seu cunhado &#xE0; enxerga com desejo e fasc&#xED;nio, objetificando-a como sua musa inspiradora. Conforme a introspec&#xE7;&#xE3;o e excentricidade de Yeong-hye v&#xE3;o atingindo n&#xED;veis alarmantes, ele se utiliza dessa vulnerabilidade. </p><p>Os homens ao seu redor tem pouco interesse em seu bem-estar e em suas vontades e escolhas. O &#xFA;nico narrador que tem uma vis&#xE3;o pr&#xF3;xima e busca compreend&#xEA;-la &#xE9; sua irm&#xE3;, que carrega a culpa de traumas em comum e a enxerga com compaix&#xE3;o. Ao mesmo tempo ela sente inveja, vendo a atual condi&#xE7;&#xE3;o de Yeong-hye como uma sa&#xED;da, uma forma de liberta&#xE7;&#xE3;o.</p><p>&#xC9; um livro frio e desconfort&#xE1;vel e com certeza essa &#xE9; sua inten&#xE7;&#xE3;o. N&#xE3;o te d&#xE1; respostas e a hist&#xF3;ria tem um tom quase que sobrenatural, apesar de nada dessa natureza acontecer de fato. &#xC9; o estranhamento de sentir algo fora do lugar em sua vida regrada. &#xC9; o desconhecido de viver fora do senso comum. O assustador n&#xE3;o &#xE9; uma criatura m&#xED;stica, mas ver a pessoa ao seu lado aos poucos escapar da realidade. </p><p>Parte do estranhamento tamb&#xE9;m com certeza vem de diferen&#xE7;as entre a minha cultura e a da Coreia do Sul, com muitos acontecimentos e rela&#xE7;&#xF5;es sendo exageros deliberados de situa&#xE7;&#xF5;es que ocorrem realmente.</p><p>Penso que teria sido um excelente filme, com uma atmosfera de estranheza que o cinema coreano conseguiria retratar muito bem. Os visuais intensos da hist&#xF3;ria tamb&#xE9;m poderiam ter causado um impacto maior dessa forma.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Get In The Van]]></title><description><![CDATA[Os diários do Henry Rollins em tour com o Black Flag]]></description><link>https://larissafarabello.digitalpress.blog/get-in-the-van/</link><guid isPermaLink="false">5f15229bfe737c0001daf436</guid><category><![CDATA[livro]]></category><category><![CDATA[black flag]]></category><category><![CDATA[henry rollins]]></category><category><![CDATA[review]]></category><category><![CDATA[biography]]></category><dc:creator><![CDATA[Larissa Farabello]]></dc:creator><pubDate>Mon, 20 Jul 2020 20:18:00 GMT</pubDate><media:content url="https://digitalpress.fra1.cdn.digitaloceanspaces.com/nywxoio/2020/07/DSC05607.JPG" medium="image"/><content:encoded><![CDATA[<img src="https://digitalpress.fra1.cdn.digitaloceanspaces.com/nywxoio/2020/07/DSC05607.JPG" alt="Get In The Van"><p>Get In The Van &#xE9; um compilado de entradas dos di&#xE1;rios de Henry Rollins enquanto vocalista do Black Flag. Por isso mesmo &#xE9; diferente de um livro de mem&#xF3;rias convencional: a vis&#xE3;o n&#xE3;o &#xE9; em retrospecto com anos de dist&#xE2;ncia dos fatos, n&#xF3;s vemos diariamente a &#xE1;rdua vida na estrada e os altos e baixos das performances.</p><p>Longe de conter um relato objetivo das circunst&#xE2;ncias e eventos, estamos dentro da cabe&#xE7;a do Henry, sujeitos &#xE0;s suas varia&#xE7;&#xF5;es de humor, pensamentos &#xED;ntimos, reflex&#xF5;es e frustra&#xE7;&#xF5;es, em textos escritos para exorcizar seus dem&#xF4;nios. Vemos pouco tamb&#xE9;m sobre outros membros da banda, ou mesmo de seu relacionamento com eles, muito pelo pr&#xF3;prio Henry buscar esse isolamento, dificilmente olhando para fora de si quando estava longe do palco.</p><p>O maior triunfo do livro &#xE9; retratar a experi&#xEA;ncia dos shows ao vivo do Black Flag na &#xE9;poca. Com o apoio de fotos fant&#xE1;sticas, conseguimos sentir toda a intensidade enquanto a banda desvia de garrafas, cusparadas e punhos vindos da plateia, revidando e entrando em brigas com skinheads. Qualquer ilus&#xE3;o de glamour &#xE9; destru&#xED;da, enquanto eles se alimentam de restos em restaurantes e dormem em qualquer lugar que ofere&#xE7;a abrigo. O pr&#xF3;prio Henry se pergunta in&#xFA;meras vezes porque se submete a tudo aquilo, a tour sendo ao mesmo tempo sua salva&#xE7;&#xE3;o e maldi&#xE7;&#xE3;o.</p><p>Uma das coisas mais divertidas s&#xE3;o momentos em que o Henry interage com outros artistas, andando por Washington D.C. com o Ian MacKaye, indo em festas com o Nick Cave ou trocando m&#xFA;sicas com a Diamanda Gal&#xE1;s.</p><p>Mas existe um limite para o quanto voc&#xEA; quer saber cada um dos pensamentos sem filtros de algu&#xE9;m. Foi uma leitura muito dif&#xED;cil, pois em diversos momentos eu j&#xE1; n&#xE3;o suportava mais o po&#xE7;o sem fundo cheio de divaga&#xE7;&#xF5;es desnecess&#xE1;rias de revolta, desprezo, ang&#xFA;stia e depress&#xE3;o que a narrativa se tornava, principalmente nos intervalos entre a tour. Estar lendo a vers&#xE3;o extendida s&#xF3; tornou isso mais dif&#xED;cil e eu estava sempre &#xE0; beira de desistir. &#xA0;Eu sa&#xED; com uma p&#xE9;ssima impress&#xE3;o do Henry, ou pelo menos do jovem Henry Rollins, ap&#xF3;s diversos coment&#xE1;rios terr&#xED;veis no decorrer dos di&#xE1;rios.</p><p>N&#xE3;o acho que foi uma leitura que valeu a pena, com certeza existem op&#xE7;&#xF5;es melhores para saber mais sobre a hist&#xF3;ria do Black Flag. A riqueza de informa&#xE7;&#xF5;es dos di&#xE1;rios do Henry foi mal aproveitada e teria se beneficiado de uma edi&#xE7;&#xE3;o melhor, focando no essencial dos acontecimentos.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Admirável Mundo Novo]]></title><description><![CDATA[A distopia de Aldous Huxley]]></description><link>https://larissafarabello.digitalpress.blog/admiravel-mundo-novo/</link><guid isPermaLink="false">5f152470fe737c0001daf4b3</guid><category><![CDATA[livro]]></category><category><![CDATA[review]]></category><category><![CDATA[aldous huxley]]></category><category><![CDATA[distopia]]></category><category><![CDATA[ficcao]]></category><dc:creator><![CDATA[Larissa Farabello]]></dc:creator><pubDate>Mon, 20 Jul 2020 20:17:00 GMT</pubDate><media:content url="https://digitalpress.fra1.cdn.digitaloceanspaces.com/nywxoio/2020/07/20200531_154848.jpg" medium="image"/><content:encoded><![CDATA[<img src="https://digitalpress.fra1.cdn.digitaloceanspaces.com/nywxoio/2020/07/20200531_154848.jpg" alt="Admir&#xE1;vel Mundo Novo"><p>Depois da opress&#xE3;o brutal e da desinforma&#xE7;&#xE3;o de 1984, o Admir&#xE1;vel Novo Mundo a primeira vista n&#xE3;o parece t&#xE3;o ruim. Ao inv&#xE9;s de terem todas as suas a&#xE7;&#xF5;es observadas e controladas, vivendo com o medo constante de agir de modo impr&#xF3;prio, neste livro as pessoas gozam de muito mais liberdade e h&#xE1; entretenimento ilimitado para todos.</p><p>Seus costumes nos deixam t&#xE3;o horrorizados quanto os nossos pareceriam repugnantes para eles. Nesse mundo onde humanos s&#xE3;o produzidos de forma industrial, o pr&#xF3;prio conceito de ter uma m&#xE3;e &#xE9; obsceno. N&#xE3;o existe o conceito de fam&#xED;lia ou religi&#xE3;o. A monogamia &#xE9; anormal, al&#xE9;m de um convite para conflitos. Qualquer rela&#xE7;&#xE3;o emocional &#xE9; recriminada. Qualquer emo&#xE7;&#xE3;o negativa pode ser facilmente eliminada com um comprimido de soma.</p><p>E este &#xE9; considerado um mundo onde todos s&#xE3;o felizes. N&#xE3;o &#xE9; que concordem com a forma que tudo funciona. &#xC9; que eles est&#xE3;o satisfeitos, confort&#xE1;veis e ocupados demais para refletir a respeito. Foram condicionados para isso desde a sua concep&#xE7;&#xE3;o, com altera&#xE7;&#xF5;es em seu desenvolvimento e lavagens cerebrais pregando as morais e preceitos de sua sociedade. Aceitam com gratid&#xE3;o sua posi&#xE7;&#xE3;o fixa na sociedade, sem la&#xE7;os ou frustra&#xE7;&#xF5;es.</p><p>O poder de uma distopia vem da capacidade que ela tem de fazer voc&#xEA; enxergar esse futuro. N&#xE3;o &#xE9; t&#xE3;o dif&#xED;cil de imaginar, com a tecnologia facilitando quase todo tipo de necessidade e tornando o mundo cada vez mais conveniente. Para aqueles que t&#xEA;m a condi&#xE7;&#xE3;o financeira pra isso, claro. E v&#xE1;rios elementos j&#xE1; est&#xE3;o presentes, mesmo que exagerados ou com outra forma. As pr&#xF3;prias classes sociais r&#xED;gidas impostas &#xE0; essa sociedade, criadas propositalmente pelo governo com a justificativa de manter o equil&#xED;brio e o progresso, s&#xE3;o um reflexo das que que tomamos por naturais hoje.</p><p>Nosso condicionamento acontece naturalmente, com a conviv&#xEA;ncia com preconceitos e ideias j&#xE1; estabelecidas, presentes na cultura, na m&#xED;dia, e nas pessoas. Mais do que nunca &#xE9; claro o quanto todos temos nos beneficiado ao fechar os olhos para o lado feio do mundo que constru&#xED;mos. A ignor&#xE2;ncia traz felicidade. A ignor&#xE2;ncia te redime de qualquer culpa. A ignor&#xE2;ncia permite que fa&#xE7;amos coisas horr&#xED;veis em conjunto sem nos responsabilizarmos por elas. E n&#xE3;o &#xE9; necess&#xE1;rio nenhum governo totalit&#xE1;rio para isso. E ningu&#xE9;m precisa nos impedir de refletir, fazemos isso por conta pr&#xF3;pria.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Minha experiência crescendo com Naruto]]></title><description><![CDATA[E o fracasso do Kishimoto ao escrever mulheres]]></description><link>https://larissafarabello.digitalpress.blog/crescendo-com-naruto/</link><guid isPermaLink="false">5f155e1bfe737c0001daf514</guid><category><![CDATA[anime]]></category><category><![CDATA[naruto]]></category><dc:creator><![CDATA[Larissa Farabello]]></dc:creator><pubDate>Mon, 20 Jul 2020 15:05:31 GMT</pubDate><media:content url="https://digitalpress.fra1.cdn.digitaloceanspaces.com/nywxoio/2020/07/0cdddd5f0bd80dcde20e0c079b6ac171.jpg" medium="image"/><content:encoded><![CDATA[<img src="https://digitalpress.fra1.cdn.digitaloceanspaces.com/nywxoio/2020/07/0cdddd5f0bd80dcde20e0c079b6ac171.jpg" alt="Minha experi&#xEA;ncia crescendo com Naruto"><p>Naruto s&#xF3; parece crescer a cada dia. Transcendeu o dom&#xED;nio otaku e virou refer&#xEA;ncia cultural aqui no Brasil. A hist&#xF3;ria do garoto que sonha em se tornar hokage &#xE9; repleta de personagens marcantes e momentos emocionantes. E eu argumentaria que nenhum desses personagens &#xE9; uma mulher. E nenhum desses momentos &#xE9; protagonizado por uma.</p><p>Eu sinto que em Naruto as mulheres existem pela simples necessidade de verossimilhan&#xE7;a. Existem mulheres no mundo. Preciso de mulheres no mundo do meu mang&#xE1;. N&#xE3;o &#xE9; t&#xE3;o f&#xE1;cil fugir da exist&#xEA;ncia de um g&#xEA;nero num shounen de lutinha como &#xE9; num anime moe s&#xF3; de garotas. Mas &#xE9; bem f&#xE1;cil torn&#xE1;-lo irrelevante.</p><p>Tenho visto alguns memes e frases com a inten&#xE7;&#xE3;o de exaltar as kunoichis de Konoha. Acho um movimento v&#xE1;lido considerando o ambiente absurdamente machista em que a maioria dos f&#xE3;s de Naruto se concentram. O problema &#xE9;, como voc&#xEA; vai fazer isso funcionar exaltando uma personagem feminina t&#xE3;o mal escrita quanto a Sakura? Ou que o &#xFA;nico prop&#xF3;sito &#xE9; ser o par rom&#xE2;ntico do protagonista, como a Hinata?</p><p>O Kishimoto &#xE9; p&#xE9;ssimo para escrever mulheres. Tanto que me faz pensar que ele n&#xE3;o tem o menor interesse por mulheres enquanto seres humanos. Nenhuma delas &#xE9; minimamente interessante, ou tem um arco de desenvolvimento marcante. Nenhuma delas &#xE9; forte num n&#xED;vel que consiga bater de frente com os caras ou tem alguma relev&#xE2;ncia real para hist&#xF3;ria.</p><p>Pior que isso, a maioria delas saiu da Guerra Ninja pra virar n&#xE3;o mais do que donas de casa. A Hinata, herdeira do cl&#xE3; Hyuuga, dona do byakugan e talvez a &#xFA;nica garota que teve um m&#xED;nimo de desenvolvimento, est&#xE1; fazendo o qu&#xEA;? Cozinhando, cuidando dos filhos e lavando lou&#xE7;a pro hokage.</p><p>Isso me faz pensar em quando eu era crian&#xE7;a e ia brincar de Naruto. Eu nunca queria ser uma das meninas. Eu odiava as garotas de Naruto. Elas eram sem gra&#xE7;a, irritantes, fracas. A personalidade das duas principais meninas do in&#xED;cio do anime giravam em torno de uma &#xFA;nica coisa: gostar do Sasuke. Tamb&#xE9;m era a &#xFA;nica intera&#xE7;&#xE3;o existente entre elas, e a motiva&#xE7;&#xE3;o emocional da luta rid&#xED;cula na prova chuunin.</p><p>Al&#xE9;m disso, elas n&#xE3;o tinham nenhum poder legal. A Sakura precisou do Shippuden para desenvolver alguma habilidade especial, mesmo sendo do trio principal, e tudo que conseguiu foi um papel de suporte e uma super for&#xE7;a sem qualquer nuance de criatividade.</p><p>Eu queria ser um dos caras. Queria ser o Itachi, queria ser o Kakashi. Queria ser algu&#xE9;m forte, s&#xE9;rio, descolado, com um poder capaz de derrotar qualquer um. E isso tornou dif&#xED;cil para mim acreditar que eu poderia ser essas coisas sendo uma garota. Mas era isso que eu queria ser. Era assim que eu me sentia. O que isso me ensinou a pensar sobre garotas? O que isso me ensinou a pensar sobre mim?</p><p>Claro que Naruto n&#xE3;o est&#xE1; sozinho nisso. Eu preferiria ser o Trunks ou o Gohan do que a Bulma ou a Pan. Eu me identificava com o Ikki, n&#xE3;o com a Saori. E n&#xE3;o &#xE9; nem uma quest&#xE3;o pertinente s&#xF3; aos battle shounens. Na pr&#xE1;tica, &#xE9; dif&#xED;cil achar qualquer m&#xED;dia que n&#xE3;o tenha esse problema.</p><p>O motivo de isso em particular me afetar t&#xE3;o diretamente era que eu amava Naruto. Por anos minha vida foi Naruto. Deixar minha internet via r&#xE1;dio baixando epis&#xF3;dios em .rmvb de madrugada para assistir no dia seguinte. Eu comprei bandana, touquinha do Akamaru, fiz cosplay de Tobi, escrevi fanfic da Akatsuki. Tenho usernames e senhas inspirados em Naruto at&#xE9; hoje. Fiz amizades e me aproximei de pessoas gra&#xE7;as a isso. Me aproximei da cultura otaku, descobri todo um universo de animes que eu n&#xE3;o imaginava que existissem.</p><p>Parece exagero, mas Naruto mudou minha vida. Foi um investimento emocional tremendo. E eu adorei cada segundo. Mas eu passei boa parte da minha inf&#xE2;ncia e pr&#xE9;-adolesc&#xEA;ncia envolta numa m&#xED;dia que n&#xE3;o me representava de nenhuma forma. Para depois passar minha adolesc&#xEA;ncia me degladiando com minha sexualidade e express&#xE3;o de g&#xEA;nero. N&#xE3;o &#xE9; exagero achar que existe alguma correla&#xE7;&#xE3;o.</p><p>Vou continuar amando Naruto por todos os seus m&#xE9;ritos. Vou continuar relendo os primeiros volumes e mergulhando na nostalgia. Vou continuar considerando um dos meus shounens de lutinha favoritos.</p><p>Hoje eu sei quem eu posso ser e eu sei que nada me limita. Mas foi um longo caminho para enxergar isso sozinha. Espero que outras garotinhas tenham uma experi&#xEA;ncia diferente. Espero que elas vejam She-ra e Steven Universe e se achem o m&#xE1;ximo. Espero que um dia existam animes populares que d&#xEA;em essa mesma sensa&#xE7;&#xE3;o.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[TTNG na Fabrique Club]]></title><description><![CDATA[16.01.2020 - Quão grande uma banda pode ser]]></description><link>https://larissafarabello.digitalpress.blog/ttng-na-fabrique-club/</link><guid isPermaLink="false">5f151ac9fe737c0001daf3b4</guid><category><![CDATA[shows]]></category><category><![CDATA[ttng]]></category><category><![CDATA[fabrique]]></category><dc:creator><![CDATA[Larissa Farabello]]></dc:creator><pubDate>Mon, 20 Jul 2020 05:38:00 GMT</pubDate><media:content url="https://digitalpress.fra1.cdn.digitaloceanspaces.com/nywxoio/2020/07/IMG_8367-2.JPG" medium="image"/><content:encoded><![CDATA[<img src="https://digitalpress.fra1.cdn.digitaloceanspaces.com/nywxoio/2020/07/IMG_8367-2.JPG" alt="TTNG na Fabrique Club"><p>Com abertura do excelente E A Terra Nunca Me Pareceu T&#xE3;o Distante, ver TTNG ao vivo foi uma feliz surpresa de uma oportunidade quase que &#xFA;nica.</p><p>Foi um show cheio de carisma, aten&#xE7;&#xE3;o a cada grito dos f&#xE3;s, clima descontra&#xED;do e intimista, com direito a pegar um desodorante emprestado de algu&#xE9;m da plateia.</p><p>No intervalo de uma das m&#xFA;sicas, o vocalista, Hank, disse que ficou surpreso ao chegar na Fabrique e ver na cal&#xE7;ada diversas banquinhas e varais vendendo camisetas falsas da banda. Disse que eles se consideram uma banda pequena, n&#xE3;o acontece esse tipo de coisa. E que ao ver aquilo, eles se sentiram o Metallica.</p><p>A banda conquistou. Seja com o som complexo executado com perfei&#xE7;&#xE3;o, com as m&#xFA;sicas que a galera passou meses ansiosa pra ver ao vivo ou com a gratid&#xE3;o e humildade com que eles recebiam o p&#xFA;blico. Pra todo mundo ali, muitos usando aquelas camisetas da porta do show, eles eram gigantes.</p><figure class="kg-card kg-gallery-card kg-width-wide"><div class="kg-gallery-container"><div class="kg-gallery-row"><div class="kg-gallery-image"><img src="https://digitalpress.fra1.cdn.digitaloceanspaces.com/nywxoio/2020/07/IMG_8373.JPG" width="4352" height="2904" loading="lazy" alt="TTNG na Fabrique Club"></div><div class="kg-gallery-image"><img src="https://digitalpress.fra1.cdn.digitaloceanspaces.com/nywxoio/2020/07/IMG_8527.JPG" width="4352" height="2904" loading="lazy" alt="TTNG na Fabrique Club"></div><div class="kg-gallery-image"><img src="https://digitalpress.fra1.cdn.digitaloceanspaces.com/nywxoio/2020/07/IMG_8493.JPG" width="4352" height="2904" loading="lazy" alt="TTNG na Fabrique Club"></div></div><div class="kg-gallery-row"><div class="kg-gallery-image"><img src="https://digitalpress.fra1.cdn.digitaloceanspaces.com/nywxoio/2020/07/IMG_8463.JPG" width="4352" height="2904" loading="lazy" alt="TTNG na Fabrique Club"></div><div class="kg-gallery-image"><img src="https://digitalpress.fra1.cdn.digitaloceanspaces.com/nywxoio/2020/07/IMG_8490-1.JPG" width="4352" height="2904" loading="lazy" alt="TTNG na Fabrique Club"></div></div></div></figure><!--kg-card-begin: html--><div style="text-align: center;" class="setlistImage"><a href="https://www.setlist.fm/setlist/ttng/2020/fabrique-club-sao-paulo-brazil-5b9b6304.html" title="TTNG Setlist Fabrique Club, S&#xE3;o Paulo, Brazil 2020" target="_blank"><img src="https://www.setlist.fm/widgets/setlist-image-v1?id=5b9b6304" alt="TTNG na Fabrique Club" style="border: 0;"></a>
<div><a href="https://www.setlist.fm/edit?setlist=5b9b6304&amp;step=song">Edit this setlist</a> | <a href="https://www.setlist.fm/setlists/ttng-6bd64646.html">More TTNG setlists</a></div></div><!--kg-card-end: html-->]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Hunger Makes Me A Modern Girl]]></title><description><![CDATA[Carrie Browstein nos conta como ela criou e destruiu o Sleater-Kinney]]></description><link>https://larissafarabello.digitalpress.blog/hunger-makes-me-a-modern-girl/</link><guid isPermaLink="false">5f152366fe737c0001daf473</guid><category><![CDATA[livro]]></category><category><![CDATA[review]]></category><category><![CDATA[lgbt]]></category><category><![CDATA[sleater-kinney]]></category><category><![CDATA[carrie browstein]]></category><category><![CDATA[nao-ficcao]]></category><category><![CDATA[autobiografia]]></category><dc:creator><![CDATA[Larissa Farabello]]></dc:creator><pubDate>Mon, 20 Jul 2020 05:37:00 GMT</pubDate><media:content url="https://digitalpress.fra1.cdn.digitaloceanspaces.com/nywxoio/2020/07/20200508_123104.jpg" medium="image"/><content:encoded><![CDATA[<img src="https://digitalpress.fra1.cdn.digitaloceanspaces.com/nywxoio/2020/07/20200508_123104.jpg" alt="Hunger Makes Me A Modern Girl"><p>Hunger Makes Me A Modern Girl s&#xE3;o as mem&#xF3;rias de Carrie Browstein enquanto guitarrista e vocalista do Sleater-Kinney. Ela nos d&#xE1; uma descri&#xE7;&#xE3;o muito honesta tanto da hist&#xF3;ria da banda quanto de sua jornada e crescimento. Longe de serem t&#xED;picas estrelas do rock, a vida na banda n&#xE3;o possu&#xED;a glamour ou exageros. Nascida em Olympia, na cena riot grrl, a banda foi constru&#xED;da com paix&#xE3;o e trabalho duro, fruto da qu&#xED;mica entre as tr&#xEA;s integrantes.</p><p>As pessoas que fizeram parte de sua vida s&#xE3;o descritas com muito carinho. O otimismo e generosidade imensos do Eddie Vedder, o profissionalismo e talento da Janet Weiss, mas &#xA0;principalmente seu relacionamento com a co-fundadora da banda Corin Tucker, demonstrando de forma verdadeira a ess&#xEA;ncia dessa rela&#xE7;&#xE3;o e a compatibilidade musical que as uniu em suas composi&#xE7;&#xF5;es.</p><p>Mas de longe a figura mais interessante &#xE9; a pr&#xF3;pria Carrie. Com o privil&#xE9;gio da dist&#xE2;ncia dos acontecimentos, ela consegue analisar a si mesma e as pr&#xF3;prias decis&#xF5;es enquanto narra como ela destruiu o Sleater-Kinney, banda onde encontrou seu lar e seu prop&#xF3;sito. A cada momento decisivo (quando seu pai se assume gay, um t&#xE9;rmino devastador, ou deixar de ser uma banda indie para assinar com uma grande gravadora), ela descreve seu comportamento e toma para si as responsabilidades das quais se esquivou no passado. Com toda a gama de imaturidade e arrependimentos de cada situa&#xE7;&#xE3;o, ela est&#xE1; tanto contando sua hist&#xF3;ria quanto fazendo as pazes com ela.</p><p>N&#xE3;o faltam triunfos e momentos de partir o cora&#xE7;&#xE3;o. Vemos ela se agarrar &#xE0;s coisas que d&#xE3;o sentido a sua vida e perdendo isso aos poucos, com a realiza&#xE7;&#xE3;o do dano sendo percebida de fato somente quando ela se despeda&#xE7;a completamente. Ent&#xE3;o ela pode parar, olhar ao redor e achar uma sa&#xED;da. N&#xE3;o faz mais sentido colocar a culpa na fam&#xED;lia, na namorada ou na banda. &#xC9; a hora de se perguntar porque as coisas terminaram assim. Hora de entender o que poderia ter feito melhor. De decidir o que fazer daqui pra frente.</p><p><br>O livro me trouxe um novo peso para as m&#xFA;sicas. Para a presen&#xE7;a da Carrie na banda. Diversas vezes tive que baixar o livro e refletir. Ou terminei um cap&#xED;tulo com l&#xE1;grimas no olhos. &#xC9; poderoso e honesto. Como uma m&#xFA;sica do Sleater-Kinney.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[O Que Eu Falo Quando Eu Falo De Corrida]]></title><description><![CDATA[Aprendendo a correr com o Haruki Murakami]]></description><link>https://larissafarabello.digitalpress.blog/o-que-eu-falo-quando-eu-falo-de-corrida/</link><guid isPermaLink="false">5f152336fe737c0001daf464</guid><category><![CDATA[livro]]></category><category><![CDATA[review]]></category><category><![CDATA[haruki murakami]]></category><category><![CDATA[nao-ficcao]]></category><category><![CDATA[memorias]]></category><dc:creator><![CDATA[Larissa Farabello]]></dc:creator><pubDate>Mon, 20 Jul 2020 05:35:00 GMT</pubDate><media:content url="https://digitalpress.fra1.cdn.digitaloceanspaces.com/nywxoio/2020/07/20200405_140921.jpg" medium="image"/><content:encoded><![CDATA[<img src="https://digitalpress.fra1.cdn.digitaloceanspaces.com/nywxoio/2020/07/20200405_140921.jpg" alt="O Que Eu Falo Quando Eu Falo De Corrida"><p>O Murakami &#xE9; o tipo de escritor que estou disposta a ler quase qualquer coisa que ele escreva, com a certeza de que seu estilo &#xFA;nico vai fazer as p&#xE1;ginas flu&#xED;rem com facilidade. Boa parte de querer ler esse livro especificamente no in&#xED;cio da quarentena foi que eu esperava que me desse alguma empolga&#xE7;&#xE3;o pra correr. Quem melhor que um dos meus escritores favoritos pra me convencer? Bom, funcionou por uns dois dias. J&#xE1; &#xE9; bastante coisa at&#xE9;, pros meus padr&#xF5;es.</p><p>A maior parte do livro foi escrita enquanto o Murakami se preparava para a Maratona de New York, relatando o progresso dos seus treinos e sua hist&#xF3;ria com a corrida. Identificando este como um esporte que se encaixava perfeitamente com seu temperamento, a pr&#xE1;tica o acompanhou por muitos anos e maratonas, impactando sua rotina e sua escrita.</p><p>O Murakami relaciona diversas caracter&#xED;sticas necess&#xE1;rias para ser um corredor de longa dist&#xE2;ncia com sua profiss&#xE3;o de romancista, ou melhor, a forma como ele atua em seu trabalho, dedicando a ambos a mesma perseveran&#xE7;a e consist&#xEA;ncia. O exerc&#xED;cio de correr todos os dias &#xE9; t&#xE3;o fundamental para um corredor quanto escrever todos os dias para um escritor.</p><p>Cont&#xE9;m li&#xE7;&#xF5;es valiosas para qualquer corredor ou escritor iniciante e essas mesmas observa&#xE7;&#xF5;es podem ser aplicadas a diferentes contextos. O livro tamb&#xE9;m funciona como uma janela na vida de seu autor. Mesmo que o tema de corrida n&#xE3;o o interesse, um leitor de Murakami tem muito a encontrar aqui sobre sua metodologia e forma de pensar. Pude sentir como sua objetividade e dedica&#xE7;&#xE3;o influenciam o estilo e a atmosfera de suas hist&#xF3;rias.</p><p>E mesmo que o livro n&#xE3;o tenha sido a grande chave para o fim do meu sedentarismo, as descri&#xE7;&#xF5;es da sensa&#xE7;&#xE3;o de utilizar e aperfei&#xE7;oar seu corpo para um determinado objetivo, superando seus pr&#xF3;prios limites, me deram uma vis&#xE3;o diferente do esporte e da atividade f&#xED;sica, criando uma curiosidade que eu nunca tive. Senti o desejo de experienciar aquelas conquistas.</p><p>Mas dois dias correndo foram suficientes pra entender que eu ainda estou bem longe disso. Quem sabe um dia.</p>]]></content:encoded></item></channel></rss>